Marina pintada em excesso

Marina Silva (Rede) é indecisa sobre temas de grande relevância como aborto e legalização da maconha. Pousa de cristã também. Mas cada vez que é perguntada sobre esses temas, se esquiva. Quer deixar a cargo da sociedade o debate, e não se posiciona contra, atitude mínima que um cristão faria.
Na entrevista que deu às Amarelas da Veja, Marina respondeu: “O aborto envolve questões de natureza ética, de saúde pública e religiosa. Defendo para esse tema, assim como para a descriminalização da maconha, que se faça um plebiscito. Esse é o caminho de ampliar o debate.” Ora, se alguém é cristão, é conservador. Se é conservador, é contra o aborto e a liberação da maconha.
Não é de agora que Marina se pinta. O pior que, com tanta troca de cor, Marina torna-se irreconhecível. Faça-nos um favor, Marina. Pare de se pintar.
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Turismo (Ponta Negra, Natal)

Ponta Negra, a praia mais movimentada de Natal, destaca-se pela excelente estrutura e pelo visual. As águas mornas já são suficientes para fazer a alegria de muita gente, mas o visual para o Morro do Careca, ponto turístico famoso de Natal, é como uma cereja do bolo. Praias e dunas são grandes símbolos do estado e a Ponta Negra representa com maestria as belezas potiguares.
Foto: Divulgação


Artigo (O encontro entre Donald Trump e Kim Jong-Un: da guerra de palavras à diplomacia)

O histórico encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o líder da Coreia do Norte Kim Jong-Un parecia impensável há alguns meses. Porém, contra muitas das previsões feitas pelos analistas de política internacional, o encontro acabou acontecendo no último dia 12. A partir dele foram iniciadas as discussões sobre o processo de desnuclearização da Coreia do Norte e, com isso, criada uma janela de diálogo inédita entre os dois países.
É importante ressaltar que o ano de 2017 foi marcado por uma verdadeira “guerra de palavras” entre o líder coreano e o presidente norte-americano. Em alguns momentos, a tensão se elevou a tal ponto, que Trump chegou a afirmar que os Estados Unidos estavam prontos para atacar a Coreia do Norte, caso Kim Jong-Um continuasse com os testes nucleares. Junto a esse cenário de tensão figuravam as personalidades controversas dos dois. Tanto Trump, quanto Kim Jong-Un são conhecidos por terem posicionamentos extremados e polêmicos – quem diria que, pelo menos neste quesito, o líder da maior democracia do mundo e o chefe do Estados mais fechado do globo tivessem tanto em comum. As ameaças eram constantes de ambos os lados e a situação parecia estar escalonando para um conflito direto entre os países.
Apesar dessa conjuntura nada favorável, no início de 2018 se observou um arrefecimento na guerra discursiva empreendida por eles. Essa diminuição nas tensões foi, sobretudo, resultado de uma mudança de postura de Kim Jong-Un em relação à comunidade internacional. O estadista norte-coreano passou a moderar o seu discurso e demonstrar interesse em superar as desavenças históricas com a Coreia do Sul. Essa modificação no comportamento do líder norte-coreano se deu em grande parte pela necessidade de buscar uma solução para os problemas econômicos enfrentados pelo país, muito afetado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas. A primeira grande estratégia implementada pela Coreia do Norte foi a participação de sua capital Pyongyang nos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, sob a bandeira de que aquele poderia ser um evento de paz. A imprevisibilidade e até mesmo a espontaneidade da ação norte-coreana abriu caminho para um encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e para a promessa de um acordo de paz entre os países.
Diante da possibilidade de paz entre as Coreias e da nova postura de King Jon-Un na política internacional, Donald Trump acabou por aceitar o convite para a Cúpula de Singapura, na qual se reuniu com o líder norte-coreano. O tom do encontro foi amistoso e parece ter selado uma nova página na história das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Em termos gerais, foi definido que a Coreia do Norte irá trabalhar em prol da sua desnuclearização e os Estados Unidos irão interromper os exercícios militares com a Coreia do Sul. No entanto, o acordo assinado pelos dois estadistas, em Singapura, ainda parece estar longe de resolver por completo as desavenças acumuladas ao longo dos anos pelas duas nações. Isso ocorre porque as condições para a desnuclearização da Coreia do Norte ainda são vagas e muitos compromissos importantes quando se pensa na estabilização da região ficaram fora do papel. Além disso, Trump e Kim Jong-Un são conhecidos por costumarem não cumprir com os acordos estabelecidos. Por conseguinte, ainda é muito cedo para afirmar que a Cúpula de Singapura representa uma grande virada nas relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte.
O que se pode afirmar de inicio é que esse encontro se constitui em uma importante vitória da diplomacia norte-coreana. Tanto que os desdobramentos da reunião têm demonstrado que o caminho diplomático foi uma escolha acertada para Pyongyang. Depois de se reunir com Trump, o líder norte-coreano parece buscar agora aproximações com China e Rússia. Esse fato evidencia que os esforços da Coreia do Norte direcionados à inserção internacional do país, com o objetivo de solidificar parcerias econômicas, estão dando certo. A Coreia do Norte, antes chamada de “anão diplomático”, agora senta à mesa com grandes líderes mundiais para discutir a situação econômica da península.
A China tem exercido um papel fundamental em todo esse processo. Não é segredo que o governo chinês não aprova a presença militar norte-americana na península das Coreias e próxima demais do seu território. Essa é uma questão de segurança nacional para China e de interesses estratégicos do país na Ásia. Desse modo, um acordo entre Pyongyang e Washington é de grande interesse chinês, principalmente, pela possibilidade de haver uma futura retirada das tropas norte-americanas da Coreia do Sul.
Portanto, mesmo que não se possam prever as consequências finais da Cúpula de Singapura, já se pode afirmar que ela representa uma vitória da nova diplomacia norte-coreana e da diplomacia estratégica chinesa. Se o encontro levará de fato à desnuclearização da Coreia do Norte e à paz na península das Coreias é algo que somente o tempo deve dizer. Isso porque as relações entre os países ainda são extremamente frágeis e não são poucos os fatores que podem fazer esse acordo desandar, como aconteceu em outros momentos. No entanto, o interesse chinês é um elemento extremamente favorável à estabilização das relações entre Estados Unidos e Coreia do Norte, uma vez que a China configura-se em um grande player mundial e pode corroborar para o sucesso dessa aproximação. 

Natali Hoff, professora do Centro Universitário Internacional (Uninter) nos cursos de Relações Internacionais e Ciências Política; Mestranda em Ciência Política, Especialista em Relações Internacionais Contemporâneas e bacharel em Relações Internacionais e Integração

Frase

“A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias.” -Winston Churchill

Artigo (A criativa logística reversa do Brasil)

Por Fabio Mestriner, Consultor da Ibema, Professor Coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem ESPM

Um arranjo informal e criativo destina mais de 60% das embalagens produzidas no Brasil para as fábricas após entregar seu conteúdo aos consumidores de todo o país. A produção de embalagens é um componente importante na economia das nações desenvolvidas. Isto se deve ao fato dos produtos necessitarem de embalagens para serem distribuídos. Hoje, mais de 80% do que é produzido nas fábricas acaba sendo encaminhado ao mercado dentro de algum tipo de embalagem.
O fornecimento de embalagens é tão crítico que, na eventualidade da falta deste insumo na produção, a maioria dos produtos não conseguiria deixar as fábricas e as empresas parariam de emitir notas fiscais. A indústria brasileira de embalagem está alinhada tecnologicamente e em capacidade de produção com suas congêneres dos países desenvolvidos e aqui estão presentes com suas fábricas, 18 das 20 maiores industrias mundiais deste segmento. O Brasil produz e exporta muitos tipos de embalagens e o setor gerou, em 2014, o faturamento de R$ 48 bilhões, o que representa uma parcela significativa do PIB nacional.
Fazer com que todas estas embalagens recebam um encaminhamento adequado após entregarem no destino não é tarefa fácil. O destino destas embalagens pós consumo se torna um problema para as prefeituras municipais, a quem cabe providenciar a coleta de lixo, pois este é o destino dos assim chamados “Resíduos Sólidos Urbanos” nos quais as embalagens figuram como um dos componentes.
Quando se trata deste tema, a questão ambiental tem dominado de tal forma os debates sobre o que fazer com o lixo urbano que vem sobrepujando, inclusive a questão do saneamento público, a ponto de merecer a promulgação de uma lei federal específica para tratar do destino dos tais resíduos. Esta legislação prevê a ação integrada e a responsabilidade compartilhada entre estado, empresas e sociedade e objetiva reduzir os problemas decorrentes do impacto ambiental causado pelo lixo urbano.
Um dos seus principais objetivos é ampliar os índices de reciclagem por meio de compromissos com metas a serem alcançadas progressivamente. Sem dúvida, a adoção da Lei de Resíduos Sólidos vai trazer no futuro benefícios para os três agentes comprometidos com sua aplicação, ou seja, o poder público, as empresas e a sociedade em geral. Vale a pena dar uma olhada no panorama atual da reciclagem de embalagem no Brasil e a logística reversa empregada em sua operação para avaliarmos o estágio em que nos encontramos.
Mas antes vale lembrar que não é de hoje que a reciclagem de embalagem está presente na vida cotidiana dos brasileiros. Desde os tempos do Brasil colonial, escravos com seus cestos na cabeça percorriam as ruas apregoando seu característico “garrafeeeeeiro”. O garrafeiro com seu pregão faz parte das nossas tradições aparecendo no cancioneiro popular, na poesia e na iconografia de época. Quando menino no interior, meus amigos e eu coletávamos garrafas, papel, papelão e outros materiais para vender no “depósito de ferro velho” e com o dinheiro arrecadado com esta venda, comprávamos a bola e o jogo de camisas do nosso time.
Estes depósitos formam, desde o início do século, uma rede de sucateiros que se propõe comprar o que as pessoas levam até eles e o que os catadores por eles estimulados ou empregados recolhem nas ruas e nas casas.
Da mesma forma, a coleta e a reciclagem de embalagens no Brasil funciona com a organização informal de milhões de pessoas que se mobilizam por dinheiro, necessidade ou por idealismo militante para encaminhar embalagens para os centros recicladores e os sucateiros fazendo com que a partir deles elas cheguem às fábricas para serem reprocessadas.
É importante frisar que o grande promotor desta atividade é a própria indústria de embalagem que tem forte interesse econômico na reciclagem e procura adquirir tudo o que consegue encontrar, pois produzir a partir de material reciclado é, na maioria das vezes, bem melhor e mais lucrativo do que produzir a partir da matéria prima virgem. Podemos citar como exemplo a produção de papel produzido com aparas e material recolhido do lixo de escritórios e residências oriundos da reciclagem, pois o custo de produção de uma tonelada de produto acabado cai pela metade em relação ao fabricado com celulose virgem originária das florestas plantadas.
Mas e a sociedade o que ganha com isso? E que interesse tem em participar desta atividade? A sociedade tem tanto a ganhar quanto a indústria pois, além dos ganhos ambientais que a reciclagem promove, ela é fonte de trabalho e renda para quase um milhão de brasileiros excluídos que, com esta atividade, conseguem ganhar seu sustento e empreender no caminho de volta a sociedade da qual a maioria deles já se encontrava a margem. Portanto, um enorme ganho ambiental e social.

Contra o feiticeiro


Ciro Gomes (PDT) nunca esteve tão perto (e tão longe) de conquistar o tão sonhado cargo de presidente da República. Perto porque os órfãos de Lula tendem a aderir à sua pré-candidatura presidencial numa tentativa de evitar Bolsonaro. Longe por causa da língua. Isso mesmo. Ciro alfinetou (e alfineta) muita gente. E colhe agora o que plantou. 
É uma sensação ruim, catastrófica até. Assemelha-se a um aniversariante que poderá não provar o bolo do próprio aniversário e, ao invés disso, ver seu bolo ser enfeitado com cereja especial e levado para ser entregue ao novo dono.
Quando tanto precisa unir as forças de esquerda e de centro, Ciro enfrenta resistências, não só de novos, como de antigos adversários que já foram alvos de ataques do pedetista.
Ciro quer fechar uma coligação que dê preferência a partidos de esquerda, como PSB e PCdoB, sem excluir um acordo com siglas de centro-direita, como DEM e PP. Mas o estilo verborrágico assusta potenciais apoiadores.
Por ser de centro-direita, talvez o MDB não seja uma sigla cobiçada por Ciro (alguém acredita?). Mas mesmo assim o maior expoente do partido hoje, o presidente Michel Temer, foi classificado pelo pedetista de “escroque que usurpou a presidência da República”. 
Hoje ele namora o PSB, mas no passado acusou o falecido Eduardo Campos - morto em 2014 - de controlar a burocracia do partido “como uma capitania hereditária que herdou do avô (Miguel Arraes)”.
Já no DEM, pérola do centrão, alguns caciques estão apavorados com a possibilidade de aliança com Ciro. Quando ministro do governo Lula, o presidenciável chamou ACM Neto, de “tampinha” e “anão moral”. Três anos antes, no entanto, o pedetista havia recebido o aval do PFL (que depois foi batizado de DEM) e de ACM à sua candidatura ao Palácio do Planalto.
Caso vá ao segundo turno, Ciro espera contar com o apoio irrestrito do PT, e, do ex-presidente Lula, que na opinião dele “cometeu todas as imoralidades”.
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Poema (Florbela Espanca)

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente! 
Amar só por amar: Aqui... além... 
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... 
Amar! Amar! E não amar ninguém! 

Recordar? Esquecer? Indiferente!... 
Prender ou desprender? É mal? É bem? 
Quem disser que se pode amar alguém 
Durante a vida inteira é porque mente! 

Há uma Primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada 
Que seja a minha noite uma alvorada, 
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Sivaldo Venerando. Tecnologia do Blogger.