Oposição em Pernambuco

Com as investigações pela compra de insumo para o combate ao coronavírus, feita pela Prefeitura do Recife, o PSB de Pernambuco tem sofrido desgastes. Enquanto isso, a oposição cresce.

Mendonça Filho (DEM) busca os holofotes, Patrícia Domingos (PODE), idem. Por fim, chegam os bolsonaristas. Alberto Feitosa, Gilson Machado Neto e Coronel Meira traçam estratégias para as eleições na capital e na Região Metropolitana. O plano consiste em fazer crescer os movimentos conservadores. Essa ala deu uma inédita vitória ao presidente no 1º turno das eleições de 2018 na capital pernambucana, com 34% dos votos válidos.

Gilson Machado Neto acredita que Pernambuco será um dos estados onde “a força de Bolsonaro será percebida com mais expressividade nas urnas. Foi o estado do Nordeste com o maior número de fichas de apoiadores do Aliança pelo Brasil preenchidas, mais de 12.000’’.

Já o deputado Alberto Feitosa afirmou que está pronto para ser mais um soldado nessa luta. “Pernambuco e Recife precisam de gestões alinhadas com o Governo Federal e com o Presidente Bolsonaro e estou pronto para colaborar com isso”. Bolsonaristas, Mendonça e Patrícia Domingos poderão estar no mesmo palanque em um eventual 2º turno na capital pernambucana.

Amnésia quando convém

A recém-inaugurada obra da transposição do Rio São Francisco pelo presidente da República tem repercutido positiva e negativamente. É positiva porque trará desenvolvimento ao Nordeste. Mas, segundo seus seguidores, Bolsonaro é “o cara” por ter inaugurado uma obra que se arrasta por anos e que nunca chegou ao fim porque a corrupção em outros governos atrasou o desenvolvimento da obra.

Mas não fica assim. A oposição tem soldados. Eles se apressam em esclarecer que esta não é uma obra do governo Bolsonaro, mas da era petista. E onde está a verdade? Com ambos. A transposição é projeto que foi tocado nos governos petistas e concluído com o atual presidente. Logo, ambos cooperaram.

O chato é ter que assistir a “guerrilha do fim do mundo” entre bolsonaristas e petistas. Transformam tudo em política e impedem a sociedade de respirar outros ares.

Em todo caso, é bom que as pessoas saibam quem projetou a obra e se esforçou para concluí-la (governos do PT) para que não aja injustiça. Creditar a outro governo aquilo que foi idealizado pela gestão anterior é o cúmulo da hipocrisia. Isso já ocorreu na história recente do país. 

No governo Fernando Henrique Cardoso a economia brasileira foi projetada para o crescimento, mas ele não colheu os louros. Chegou Lula e creditou o crescimento econômico do Brasil ao seu governo, quando o que fez foi dar prosseguimento à política econômica de FHC. 

A verdade sobre o crescimento econômico na era Lula nunca foi creditada a quem de fato merece as honrarias. E aí nunca se viu um petista alertar a sociedade para o fato de ter sido Fernando Henrique o responsável pelo boom na economia. Todos ficaram envoltos numa amnésia temporária e só agora enxergam os feitos de governos anteriores no contexto atual. A amnésia pode ser bom negócio quando convém a determinado grupo.

Concurso literário “Tensões em Diálogo Por um Mundo Melhor” encerra inscrições com número expressivo de participantes

As inscrições para o Concurso literário “Tensões em Diálogo Por um Mundo Melhor”, encerraram no último sábado, dia 20 de junho. O prazo, inicialmente programado para o dia 20 de maio, foi prorrogado devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. Mas nada impediu o sucesso do concurso que recebeu ao todo mais de 40 inscrições, porém apenas cerca de 34 delas cumprem as normas do edital e estão aptas a serem avaliadas.

O número é considerado expressivo em comparação com outros concursos nacionais de texto para teatro que conseguem cerca de 30% de inscritos em relação a este número. Dramaturgos de todas as regiões do Brasil, a exemplo dos estados de Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Pernambuco e Alagoas inscreveram seus trabalhos.

O feito já é comemorado pelo organizador, o padre, professor e ator, Zé Ramos. Ele adiantou que a Comissão Julgadora do concurso já foi formada e que o próximo passo é a análise dos textos inscritos. O resultado do vencedor sairá dia 1 de agosto. 

A obra vencedora será encenada, com produção, direção, data e elenco a serem definidos pelos realizadores e também será publicada no formato livreto por uma editora, com uma tiragem mínima de 300 (trezentos) exemplares, ficando o vencedor com 50%, ou seja, com 150 exemplares; e será também publicada em E-book pela Editora Cenário. Os demais classificados nas outras categorias poderão ter suas obras publicadas no formato E-book pela Editora Cenário, onde a mesma fará a comercialização dessas obras via Endereço Eletrônico (www.cenarioeditora.com), conforme contrato firmado após a finalização e resultado do concurso. Essas obras, a critério dos organizadores, poderão ter também a leitura dramatizada em data e local a serem definidos por estes.

Parceria 
O concurso está sendo promovido pelo Espaço Reconciliação e a Paróquia de Tracunhaém-PE.
O tema do texto teatral trata das tensões atuais, motiva as pessoas a escreverem diálogos improváveis, mas possíveis de existir cenicamente, entre pessoas, coisas ou seres; e atende os ideais do papa Francisco, no que se refere à “cultura do encontro, para vencer a indiferença...”. Além disso, se alinha com a “comemoração dos 75 anos das Nações Unidas que terá um grande e inclusivo diálogo sobre o papel da cooperação global na construção do futuro que queremos”, proposta pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
“O Tensões em Diálogo Por um Mundo Melhor”, texto para teatro, premiará textos inéditos nas categorias: Texto Diálogo Para Infância, Texto Diálogo Para Juventude, Texto Diálogo Destinado ao Público Adulto e Texto Diálogo Inter-Religioso. Todos deverão estar escritos em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros, abordando o tema proposto.

Serviço
Endereço eletrônico: www.espacoreconciliacao.com
Contato: (81) 9 9152.8768

Conselho Estadual de Cultura cria campanha para ajudar artistas a receberem cestas básicas

Para minimizar os impactos da crise do Coronavírus nos trabalhadores da Cultura, o Conselho Estadual de Política Cultural está empenhado na campanha SOS Cultura Pernambucana. O objetivo é arrecadar doações para distribuir com os artistas em maior situação de vulnerabilidade, que dependem exclusivamente dos recursos advindos das atividades culturais, e neste momento estão portanto impossibilitados de trabalhar.
Os que quiserem contribuir podem doar desde alimentos não perecíveis, até material de limpeza ou máscaras. “Essa foi uma ideia que surgiu em reuniões do Conselho diante de demandas apresentadas pela sociedade civil, como forma emergencial de ajudar alguns artistas e também profissionais da área técnica que estão sem trabalho devido à proibição de eventos, shows e espetáculos”, diz Jocimar Gonçalves, presidente do Conselheiro Estadual de Política Cultural.
Ele conta que foi criado um Grupo de Trabalho de Ações Emergenciais para a Cultura, no âmbito do Conselho, que passou a se reunir remotamente, todas as semanas. “Assim que atingirmos as metas das doações, ou parte delas, iremos nos reunir e apresentar propostas para definir para onde é mais urgente o envio das doações. Circenses e artesãos são o público já identificado como aquele que não está conseguindo manter sua vida na normalidade”, diz o conselheiro.
As doações podem ser feitas presencialmente na casa dos Conselhos (Av. Oliveira Lima, 813, Boa Vista), ou ainda através de vaquinha online, cujo dinheiro levantado será usado na compra de cestas básicas. Também será realizado um leilão solidário, que colocará à venda peças e obras artísticas. Mais informações podem ser obtidas pelo (81) 98494-2647.
Foto: Reprodução

Turismo (Praia da Raposa)

Foto: Reprodução/O Imparcial

Localizada a 30km do centro da cidade, no município da Raposa (MA), a praia tem a principal colônia de pescadores da região. 

Na avenida principal que leva à praia, está a vila de pescadores, onde as mulheres produzem a renda de bilro, vendendo seu artesanato e os homens trabalham com a pesca. 

Não é considerada boa para banhos, pela existência de muitos restos de peixes na água. Pouco antes da Praia da Raposa, há um trecho conhecido como Pucal ou Cocal.

Racismo no mundo corporativo: O despertar de um mentor de carreira

Foto: USP

Sou um mentor de carreira voltado ao desenvolvimento profissional de executivos. E sou, eu mesmo, um executivo, que ocupa um cargo de direção em uma empresa multinacional. Sou também professor universitário. E, veja você, eu sou um homem negro. Uma combinação de predicados muito rara no Brasil.

Mas custei a perceber o quanto essa lacuna de representatividade está ligada a um racismo estrutural, que permeia a sociedade brasileira desde sua fundação, e que agora é lembrado e se torna motivo de protestos por um fato lamentável de violência que aconteceu nos Estados Unidos – embora se repita sistematicamente nos nossos bairros de periferia.

Custei a notar essa evidência porque passei adormecido a maior parte da minha vida. Por muito tempo, eu me mantive isolado do pior que o racismo tem a oferecer. Por dois motivos. O primeiro foi por conta do lugar onde nasci e cresci: um bairro de periferia em Guarulhos (SP). Nesse bairro tem muito negro, a maioria das pessoas é negra. Os brancos do bairro muitas vezes namoram ou se casam com pessoas negras. Eu mesmo sou filho de mãe branca com pai negro. Então é difícil que a carga mais pesada do racismo se manifeste num espaço de predominância negra – ainda que saibamos que esse extrato num bairro de periferia já deriva da sociedade racista em que vivemos. Então, até minha adolescência, eu vivia entre iguais. Estava blindado. 

O segundo motivo está ligado ao êxito da minha trajetória educacional e profissional. Sempre fui considerado um rapaz inteligente em algumas áreas e um líder em outras. Essa combinação me levou a alcançar horizontes e camadas da sociedade que aqueles meus amigos de Guarulhos jamais tiveram oportunidade de frequentar. Sou gestor de outros gestores numa multinacional. E, pelo menos no ambiente corporativo, não se é racista com o chefe do seu chefe. A relativa autoridade e a notoriedade de quem chega longe assim me blindaram.

Não que eu não tenha percebido, no caminho, o quanto essa blindagem é motivo de estranhamento. Fui o único aluno negro do meu curso na universidade. Fui o primeiro negro a ser contratado na empresa onde fiz uma carreira bonita, de estagiário a diretor.


DOIS MOMENTOS
Mas parece que a vida queria mais de mim. Então ela me presenteou com alguns momentos que, finalmente, me levaram a um despertar. Entre esses instantes, destaco dois que aconteceram num congresso na Espanha, onde fui representar minha empresa.

No dia do evento, acordei cedo e fui me exercitar na academia do hotel. Havia ali um grupo de senhores espanhóis, e um deles, percebendo que eu era brasileiro e achando que eu não entenderia sua língua, virou-se para a recepcionista e disse: “a gente paga caro para usar a academia e é obrigado a compartilhar os equipamentos com índios?”. Então um colega dele emendou: “a única coisa boa que esses índios vêm fazer aqui na Espanha é jogar futebol”.

Conheci muita gente boa e especial na Espanha, mas esse grupo foi um presente que a vida me deu, pois me tirou da anestesia em que eu vivia.

Quanto ao segundo momento: em minha palestra no congresso, falei sobre a relação entre inteligência artificial e o mercado de seguros, e o público gostou da apresentação. Então, entre os cumprimentos, um dos organizadores me disse o seguinte: “Emerson, eu organizo esse congresso há mais de 30 anos, e você foi o primeiro negro a palestrar”.

Confesso que não consegui prestar atenção a mais nada do que ele disse em seguida. A blindagem tinha caído. Juntei esses pontos e, entre a revolta e uma breve sensação de impotência, me veio um despertar, tão urgente quanto inspirador: eu precisava fazer alguma coisa.

De volta ao Brasil, comecei a pesquisar e falar com especialistas, com professores, CEOs, diretores de áreas de sustentabilidade e diversidade das empresas, e cheguei a alguns dados estarrecedores sobre a desigualdade de oportunidades entre brancos e negros no mundo corporativo. 

No nosso país, 54% da população é negra. Mas na universidade só 24% dos alunos são negros. Nos cursos de mestrado e doutorado, menos: 14% dos alunos são negros. Entre as 500 maiores empresas do Brasil, 26% dos empregados, no total, são negros. Mas em cargos de gerência só 5%. E fica pior: em cargos de diretoria, apenas 2% são negros. Nos conselhos administrativos, 1%.

Então onde estão todos aqueles negros que compõem mais da metade da população brasileira? Eu respondo: 92% das empregadas domésticas são negras. Mais de 95% dos garis são negros.

Esse foi o meu despertar. Aprendi que circunstâncias da minha trajetória me blindaram para uma das distorções mais aviltantes das relações humanas. E que o racismo no Brasil não é um evento esporádico: é um problema estrutural. E vai continuar pautando relações e oportunidades profissionais se as pessoas não tiverem iniciativas que mudem a forma como o sistema funciona.

De minha parte, montei um projeto chamado CAUSA, que visa especificamente aumentar o número de executivos negros dentro das empresas de médio e grande porte. Tenho feito palestras abordando esse tema, apresentando essa realidade e tentando compartilhar, entre os profissionais negros que almejam uma ascensão de carreira, o que é necessário para transformar seus sonhos em realidade. É só o primeiro passo de uma iniciativa que terá outros desdobramentos.

Se o racismo é estrutural, e ao mesmo tempo é crime inafiançável pela legislação brasileira, uma constatação óbvia emerge desse paradoxo: a estrutura está errada.

Cabe a nós mudá-la.


Emerson Feliciano é treinador e mentor de carreira, idealizador do curso Mentoria P&D – Profissional e Diferenciado.


Pouca paciência, boa dose de prudência

Que o PSDB é um partido democrático não há dúvidas. Também é dado ao diálogo. Nos últimos tempos, porém, parece estar com paciência.

Bruno Araújo, presidente da legenda, anunciou recentemente o novo caminho da sigla: oposição em relação ao governo Bolsonaro. “O caminho do PSDB é a oposição. O PSDB teve a paciência democrática de esperar o tempo e dar as oportunidades a um governo democraticamente eleito se instalar e trabalhar. O PSDB foi colaborativo”. 

Em outras épocas o PSDB foi mais colaborativo. Ajudou o governo Temer, votou as pautas dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Tudo junto chega a 16 anos. Agora, com um ano e meio o partido tucano não aguenta mais.

Em entrevista à Folha de São Paulo, ao falr de um possível processo de impedimento do presidente, Bruno Araújo foi prudente: “O impeachment é potencializar uma crise dentro da mais grave crise sanitária e econômica talvez da nossa história. O instituto do impeachment não é para ser banalizado. Preferimos, respeitando a grave crise que o país vive, permitir que o diálogo, a serenidade, a maturidade das instituições possam nos levar a superar primeiro esse grave momento. O preferível é que possamos chegar com um grau de naturalidade ao processo das eleições de 2022. O momento é de pregar um ambiente de unidade em relação a vencer um inimigo muito maior que está matando dezenas de milhares de brasileiros.’

Apesar de destemperos e posicionamentos autoritários, o governo Bolsonaro não está de tudo perdido. Há sempre quem demonstre o bom senso. E o PSDB na oposição pode ajudar muito o país. “Ser oposição não significa não ter relação institucional, respeitosa e colaborativa com o Brasil. O PSDB não trata adversário político como inimigo.”

Sivaldo Venerando. Tecnologia do Blogger.